O Pico da Ibituruna, cujo significado em tupi-guarani significa Pedra Negra, foi o marco que serviu de referência para os que chegavam na região. Hoje, o Pico é referência mundial para os praticantes do vôo-livre. O Pico é localizado na serra de mesmo nome, é constituído de formações rochosas de formato pontiagudo. O maciço se formou no período pré-cambiano, devido ao resfriamento de vulcões e revolvimento de solos fracos, formados pela invasão marítima no Brasil.

Sua altitude é de 1.123 metros do nível do mar e 990 metros do nível do Rio Doce (que destaca imponente na paisagem valadarense). Tombado pela constituição do Estado de Minas Gerais desde 1989 por sua singular beleza paisagística, o Pico da Ibituruna é constituído por uma APA (Área de Preservação Ambiental) e está entre os lugares mais conhecidos no mundo para a prática do vôo-livre. O Pico possui as melhores térmicas (bolsões de ar quente que impulsionam as asas-deltas e paragliders para o alto).
A temperatura no Pico é mais baixa do que na cidade, apresentando durante o dia em torno de 25ºC e à noite 12ºC. E na cidade a temperatura é alta, chegando a 40ºC no verão. A Pedra tem a fama de influir diretamente no clima de Governador Valadares, mas, na verdade, o clima é determinado pelos ventos provenientes do nordeste e do sudeste. Outro fator que contribui para caracterizar o clima da cidade são as Serras do Espinhaço (a oeste do Estado) e a Serra da Mantiqueira (ao Sul). As duas cordilheiras freiam as frentes frias permitindo que se forme, na região, um bolsão de calor, que começa em Ipatinga e vai até Linhares, no Espírito Santo, fazendo com que o clima seja quente durante o ano todo.
No cume do Pico há um belvedere, de onde se descortina um belo panorama. A leste avista-se a cidade de Governador Valadares cortada pelo Rio Doce e em volta, a paisagem do grande Vale. No ponto mais alto do Pico, encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Graças, que foi levada ao Pico em blocos. A idéia de se erguer um monumento dedicado a Nossa Senhora, foi de um padre paranaense que em visita à cidade sugeriu a duas senhoras da Associação das Damas de Caridade, que de imediato acolheram a sugestão. A imagem pesava 40 toneladas e colocá-la no alto da serra foi um trabalho faraônico. A Santa (como é conhecida pelos valadarenses) é um dos dez maiores monumentos em concreto do Brasil. Na época custou uma fortuna, 24 mil cruzeiros e foi transportada até o Pico dividida em quatro partes puxadas com o auxílio de uma tropa de burros. A primeira estrada de acesso ao Pico foi aberta exclusivamente para o transporte da imagem. O empreendimento foi custeado por empresas e contribuições do povo valadarense. Os trabalhos de montagem levaram três meses e sua inauguração e bênção foi no dia 27 de janeiro de 1963. No dia 04 de julho de 2000, após ser restaurada, recebeu magnífica iluminação ornamental, podendo ser vista à noite mesmo a quilômetros de distância. A imagem possui 24 metros e foi tombada pelo Patrimônio Histórico do município em julho de 2001. De braços abertos sobre a cidade, a branca imagem é símbolo da fé do povo valadarense. A Santa é rodeada por grandes torres de TVs e rádios.

O Pico é uma plataforma natural de vôo-livre, possuindo duas rampas naturais e duas em madeira para a decolagem. Homologada pelo Serviço Regional da Aeronáutica Civil (Serac-3), teve o processo iniciado em dezembro de 1999 e oficializado em janeiro de 2000, atendendo todas as exigência da SERAC e outras mais estabelecidas pelo Clube Valadarense de Vôo-Livre.
O ar quente formado em volta da Ibituruna propicia a prática do vôo livre na região. Ascendente, este tipo de ar possibilita aos voadores subirem 1.500 metros acima do Pico e se manterem até Caratinga (a 115 Km) e Realeza. O espaço aéreo do Vale do Rio Doce, próximo ao Pico, é cedido pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) para a prática do vôo, sendo proibido para aviões e helicópteros sobrevoarem neste local.
Os organizadores de campeonatos de vôo-livre e mídia impressa (jornais locais e revistas especializadas) divulgam a imagem de Governador Valadares como um dos melhores pontos mundiais para a prática do vôo-livre. O poder público utiliza desta divulgação para a reafirmação da imagem da cidade veiculada ao atrativo em questão. Os pilotos se referem à cidade como a "Disneylândia dos Adultos" ou, "Governador Valadares é um cartão postal do vôo-livre", ou ainda "Governador Valadares é a meca do esporte vôo-livre comentado inclusive em revistas no exterior". Sidnei Pereira se refere a Governador Valadares na revista Sky News ... "assim como todo surfista sonha dropar as imensas ondas do Havaí – os homens-pássaros almejam as correntes de ar que habitam a cidade mineira, considerada uma das melhores regiões do planeta para prática deste esporte".
A cidade recebe turistas de toda a parte do mundo para prática do vôo-livre, sendo ainda sede para o treinamento deste esporte. Gerando, portanto um fluxo turístico no período de janeiro a março intensificado pelas etapas dos campeonatos que são realizados neste período. E nos demais meses a cidade recebe pilotos para prática do vôo com objetivo de treinamento e quebra de recordes.
Durante a temporada de vôo o valadarense se depara com pessoas de costumes diferentes e vestimenta diferenciada do cotidiano. São homens e mulheres que carregam seus instrumentos de vôo nas costas numa grande mochila e andam nas ruas da cidade, alterando o ritmo de vida das pessoas que vivem aqui e que se esforçam para atender a estes "seres estranhos". São engraxates ensaiando o inglês para servir bem e ganhar seu trocado, meninos de rua que ajudam a armar o parapente e também auxiliam no resgate dos pilotos.
A imagem da Ibituruna foi utilizada pela Prefeitura Municipal na sua logomarca e está sendo utilizada nos caminhões de lixo que circulam diariamente. No setor empresarial, tem pelo menos uma empresa em cada ramo que sua razão social ou logomarca é a Ibituruna. Percebemos, portanto, a representatividade deste atrativo para a comunidade valadarense, que é o símbolo da cidade. Em 04 de dezembro de 2001, foi criada e votada na Câmara Municipal a lei nº 4.924, instituindo o "Dia da Ibituruna" em âmbito municipal a ser comemorado anualmente no dia 04 de junho.
Foi feita uma homenagem ao Pico da Ibituruna em frente ao Palácio da Cultura. Um monumento que também homenageia os campeonatos de vôo-livre e se tornou um ícone para a cidade.
O primeiro vôo de asa-delta em Governador Valadares aconteceu em 1977 e foi realizado pelo mineiro Emerson André Miranda Monteiro, que subiu a Serra e sentiu a magnitude do lugar. Voou e divulgou aos seus amigos pilotos que, aos poucos, começaram a visitar a cidade. Em 1983, a Ibituruna, com suas condições naturais, passou a ser um ponto turístico por si só, atraindo pilotos de várias regiões e até de outros países. No mesmo ano de 83 foi fundado o Clube Valadarense de Vôo-Livre, denominado pela sigla CVVL. Porém, o mesmo ficou inativo durante muitos anos. Em 1991, Governador Valadares foi sede do 1º Campeonato de Vôo-Livre. Os Correios fizeram uma homenagem à Valadares criando um selo com alusão ao campeonato. A CVVL foi reativada em 1993, com apoio da FUNSEC (Fundação de Serviço, Educação e Cultura). Desde então foram realizados vários campeonatos brasileiros de vôo-livre e parapente, além dos mundiais, que ocorreram em 1994 e 1995. Governador Valadares hoje é sede de vários campeonatos, tais como: Pan Americano de Paraglider, Pré-Mundial de Asa-Delta, PWC Paraglider, Speed Gliding e Campeonato Brasileiro.
Além do vôo-livre, a cidade também é sede dos chamados esportes de emoção, ou esportes radicais, como a canoagem, bicicross, montain bike, motocross, rappel, escalada e trekking.