CONSIDERAÇÕES GERAIS
Os termos "canoa" e "caiaque" são duas palavras
etimologicamente diferentes e que designam embarcações distintas
tanto na origem quanto na forma. Entretanto, o uso destas palavras tem sido
feito, algumas vezes, sem distinção, pois em águas
brancas (corredeiras) as duas embarcações se tornam bastante
parecidas e apenas a existência de um assento comprova que se trata
mesmo de um caiaque.
As associações de canoagem de outros países adotam normalmente uma denominação em torno da palavra "canoa", como são os casos, por exemplo da "British Canoe Union" e da Deutscher Kanu Verband", embora, o caiaque seja usado igualmente. No Brasil a maioria das associações utilizam "canoagem" nos seus nomes, aí incluindo-se também a Confederação Brasileira de Canoagem. Já o praticante do esporte é o canoísta (nas primeiras edições do Aurélio não apareciam canoagem e canoísta), tanto para o caiaque como para a canoa.
Uma rápida sondagem etimológica faz suspeitar da complexidade das origens: o substantivo canoa é de origem caribenha (do aruaque), enquanto que caiaque é de origem esquimó (kajak).
Já no século XVI historiadores registravam a utilização de canoas na América do Norte, utilizando madeira e peles, embarcações leves e rápidas , próprias para enfrentar os rios canadenses, repletos de corredeiras. No início deste século um canadense introduziu a canoagem na Europa, enquanto que, no Canadá, já tomava um cunho esportivo. Enquanto que a canoa era utilizada por indígenas no interior do continente, o caiaque era usado pelos esquimós para pescar e transportá-los entre dois pontos da costa. Esses caiaques eram formados por uma estrutura de madeira, revestida com pele de foca e calafetada com a gordura das articulações daqueles animais. Hoje os modernos caiaques e canoas são construídos em resina de poliéster reforçada com fibra de vidro, em sua maioria, ou mesmo em resina epóxi com kevlar ou fibra de carbono, e ainda plástico injetado ou rotomoldado - polietileno.
PRIMEIROS FATOS
Acanoagem adquiriu o seu
espírito de nobreza quando participou dos famosos Jogos Olímpicos
de Berlim, em 1936, mantendo-se no cenário olímpico, desde então,
na disciplina Velocidade.
Novamente na Alemanha, nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, a modalidade "Slalom" (águas brancas) apareceu como esporte de demonstração. Vinte anos depois nos Jogos Olímpicos de Barcelona e nos Jogos de Atlanta, o slalom teve sua presença válida no quadro de medalhas.
No Brasil provavelmente outros pioneiros existiram na canoagem, contudo, a dificuldade de recuperar essas informações reduzem a nossa história a poucas linhas.
INÍCIO DA CANOAGEM NO BRASIL
Na sua concepção moderna, a canoagem brasileira foi iniciada
nos 70, porém, na cidade de Estrela - RS, nosso esporte já vem
sendo praticado desde 1943. Em 1941, José Wingen, alemão, nascido
em 1915, que residiu em Porto Alegre, muda para Estrela e, ao conhecer o Rio
Taquari, recorda-se da sua mocidade quando, na Alemanha, entre 1930 e 1931,
competia pelo Kanu Club, e constrói então o primeiro caiaque
da região. Foi o início da fábrica de "regatas",
nome dado ao caiaque na região, tal o interesse que despertou na comunidade
local.
I nfelizmente a falta de um clube e, posteriormente, o advento da represa de Bom Retiro foram, na opinião de José Wingen, as principais causas da descontinuidade da canoagem.
Em 1988
havia apenas 4 associações vinculadas à CBCa. Em 1997
são 60 clubes e associações em 10 Estados da Federação.
