O esporte


Parapente é o nome francês. Paraglider é o nome inglês. Paragliding significa, em inglês, o ato de voar de paraglider.

Portanto, paraglider é o brinquedo e paragliding, a brincadeira.

Atualmente, mais de 100 mil pessoas praticam o esporte em todo o mundo. No Brasil, o Paraglider existe há aproximadamente 12 anos e conta com cerca de 3000 adeptos.

Os primeiros campeonatos começaram a surgir no país em 1991 e os principais eventos são o Campeonato Brasileiro e os campeonatos estaduais, além de eventos paralelos e etapas do PWC (Paraglider World Cup).

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A história do parapente


Tudo começou nas pesquisas com relação ao paraglider para retorno de cápsulas espaciais a Terra, o pára-quedista americano e engenheiro em aerodinâmica, chamado David Barish dedicou-se à concepção de um novo pára-quedas especificamente destinado ao projeto Apollo.

David produzia alguns protótipos, até que em 1965 ele construiu uma espécie de velame. A fim de fazer alguns ajustes, o americano decolou com o velame do monte Hunter nos EUA. Era um equipamento muito peculiar, possuia uma forma diferente dos parapentes atuais, mas já contava com o bordo de ataque composto de extradorso e intradorso em dois painéis independentes. O tecido inferior cobria um terço da corda e ele era composto inicialmente de três e logo em seguida, de cinco grandes gomos.

Ao voar daquela montanha perto de Nova York, David Barish colocou o nome slope soaring na nova atividade. Ele chegou a construir um equipamento com um planeio absolutamente incrível para a época: 4,2: 1! Somente vinte anos mais tarde os equipamentos teriam esta característica.

Durante o ano de 1966 ele faz alguns vôos de demonstração, mas parecia que a idéia ainda estava muito à frente no tempo. Em um dos primeiros manuais de vôo livre, o Hangliding Manual, publicado em 1973, o paragliding era descrito como uma variante do vôo de asa. Baseado nas pesquisas de David Barish, o manual servia de referência didática para os pioneiros de Mieussy e seus primeiros vôos.

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Equipamentos


Velame (vela de nylon rip-stop que constitui a asa propriamente dita.) Preço: de US$ 1,800.00 a US$ 3.000.00
Selete (cadeira onde o voador vai sentado) Preço: de US$ 400.00 a US$ 1,000.00
Pára-quedas reserva (para ser acionado em emergências) Preço: de US$ 400.00 a US$ 600.00

Capacete (proteção para pequenos tombos na decolagem ou no pouso). Preço: de US$ 30.00 a US$ 200.00

Bota (proteção do tornozelo para pequenos tombos na decolagem ou no pouso) Preço: de US$ 100.00 a US$ 300.00

Macacão (serve para proteger do frio em altas altitudes e também para proteger a pele caso ocorra algum tombo na decolagem ou no pouso) Preço: de US$ 100.00 a US$ 300.00

Luvas (servem para proteger do frio em altas altitudes e também para facilitar uma manobra conhecida como "orelha") Preço: de US$ 10.00 a US$ 50.00
Rádio de comunicação (para facilitar o contato entre o voador e a equipe de resgate e entre o voador e outros voadores) Preço: de US$ 150.00 a US$ 300.00
Variômetro (Instrumento que indica a altitude do vôo assim como a variação positiva ou negativa de deslocamento vertical - ou seja, indica se você está subindo ou descendo.) Alguns modelos trazem também um indicador de velocidade com relação ao ar, além de alarmes de stall, conexão com o GPS e conexão com computadores. Preço: de US$ 200.00 a US$ 800.00

GPS (Global Positioning System) - O Sistema de Posicionamento Global - GPS é utilizado para indicar ao piloto praticante de cross country qual é sua posição em coordenadas: latitude e longitude. Indica também a velocidade do piloto com relação ao solo, que na maioria das vezes é diferente da velocidade com relação ao ar. Preço: de US$ 300.00 a US$ 800.00

Atenção: Paragliding é um esporte potencialmente perigoso. Sua prática exige normas rígidas de segurança. Antes de voar, você deve seguir um curso teórico e prático com instrutores registrados no Departamento de Aviação Civil.

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Modalidades


O parapente é um esporte que chama atenção pela sua versatilidade. Logo de cara, algumas pessoas enquadram esta modalidade em “esportes radicais”, mas a verdade é que o parapente pode muito bem ser (e é, na maioria das vezes) o oposto polar do radical.

Se, apenas para iniciar, fizermos uma análise no aspecto técnico veremos que o parapente é a aeronave que tem a menor velocidade de deslocamento possível. Em termos práticos, isto significa muita suavidade tanto para decolar, pousar, quanto para voar.

Imagine que na maior parte do tempo, nas rampas de decolagem o vento sopra de intensidade calma para moderada, o que em números, significa cerca de 20km/h. Se lembrarmos que o parapente se desloca no ar a cerca de 35km/h, teremos uma resultante (velocidade absoluta) de apenas 15km/h quando o piloto se desloca contra o vento. Na prática isto significa quase flutuar sobre o chão, algo como o que os anjos fazem após o almoço...

Mas logo no inicio deste texto, falamos sobre versatilidade; vamos a ela então. As diferentes categorias de vôo de parapente:

* O vôo de ascendente dinâmica - Popularmente chamado de vôo de lift pelos pilotos, este tipo de vôo é praticamente o mais comum, mais fácil e praticado no mundo todo. Consiste em aproveitar o desvio para cima que o vento faz ao passar por uma montanha e utilizar a corrente ascendente resultante para permanecer voando sem perder altura.

É fácil entender, já que o parapente é um tipo de planador e, conseqüentemente, não possui propulsão - ele está sempre descendo se o ar não se move verticalmente. Neste caso, o ar está se movendo para cima forçado pela saliência da montanha criando uma espécie de colchão de ar que serve de sustentação extra para o parapente.

Uma vez que está ventando, a velocidade em relação ao solo é muito baixa (naturalmente quando o piloto voa contra o vento, já que quando voa a favor, tem a velocidade aumentada; veremos isto a seguir), tornando o vôo de lift muito suave e agradável. Imagine você pendurado no céu a cerca de duzentos metros de distância de uma linda montanha com um maravilhoso final de tarde, num vôo absolutamente liso e confortável. Dá para passar todos os momentos de sua vida em revista numa hora destas.

Durante o vôo de lift, dependendo das condições da decolagem, é possível aproximar-se das pessoas na rampa como que flutuando sobre elas, inclusive efetuando pousos na própria rampa de onde você decolou. Dá para imaginar que excitante deixar o chão como que erguido aos céus, ficar um tempão curtindo a paisagem e depois fazer uma manobra e retornar exatamente para o mesmo local de onde você saiu?

Brincadeiras como entregar objetos ou tocar as mãos dos pilotos que se aproximam da rampa são muito comuns. Tudo isto faz do vôo de lift uma delícia que apaixona qualquer pessoa seja ela aficionada ou não do esporte.

Usando as térmicas para voar de parapente - Este tipo de vôo utiliza as bolhas de ar quente geradas pelo contato do sol com o chão que sobem por serem menos densas que o ar ao seu redor.

As térmicas são como grandes tubos de ar quente subindo até se transformarem em nuvens cúmulos, aquelas que parecem tufos de algodão no céu.

Voar nas térmicas é mais difícil que voar no lift, pois diferente deste, não basta que haja vento e uma montanha, o piloto precisa “adivinhar” onde a termal está. Naturalmente, com a experiência, o piloto vai aprendendo a identificar possíveis geradores térmicos que são superfícies propicias a formação de térmicas como por exemplo: arados, pedras, asfalto e assim por diante.

O vôo em térmicas é também mais difícil pois normalmente é mais turbulento do que o vôo de lift, exigindo do piloto mais controle e mais atenção na pilotagem.

Por outro lado, o vôo de térmica permite que o piloto suba centenas e até milhares de metros, chegando até as bases das nuvens e algumas vezes até entrando dentro delas.

É numa experiência única, que vai desde descobrir todas as sensações proporcionadas pelo espetacular ganho de altura, até a redução de temperatura, onde mesmo em dias muito quentes no nível do chão, o piloto pode encontrar temperaturas bastante baixas se subir o bastante. Mas o que mais pode ser feito depois que o piloto conseguiu subir dois mil metros e vê as casas lá embaixo como formiguinhas?


O Vôo de Cross Country - O vôo de XC é o vôo de longa distância. Consiste em subir o máximo utilizando as térmicas para partir numa determinada direção procurando voar o mais longe possível. Trata-se, na minha opinião, da mais espetacular atividade permitida pelo parapente.

A capacidade de subir uma térmica, deslocar-se perdendo altura até finalmente encontrar uma nova termal, subir novamente e assim sucessivamente até pousar no final do dia em algum lugar dezenas e até centenas de quilômetros de onde você estava, sem nenhum tipo de propulsão é algo difícil de ser expressado em palavras.

Muitas vezes quando você está voando nas térmicas, nem acredita que é possível conseguir fazer vôos de longa distância. Então o piloto inicia o vôo e as horas vão passando e as cidades vão ficando para trás junto com todo seu stress. Em dado momento, você está no meio do céu, a milhares de metros de altura, absolutamente sozinho, olha a sua volta e vê a grandiosidade de tudo que o cerca parando um instante para pensar “como é bom estar vivo!”.

Não é nada fácil fazer vôos de Cross Country. A maioria dos pilotos passa praticamente toda sua vida de voador se aperfeiçoando para conseguir fazer um vôo mais longo e sempre aparece alguém que consegue ir mais longe ainda.

Recentemente o piloto brasileiro Marcelo Prieto (o Cecéu) foi o primeiro piloto no mundo a romper a marca dos 400 voando 402 quilômetros no deserto de Zapata no Texas. Foi superado apenas vinte minutos mais tarde por um piloto canadense que voou 423 quilômetros quebrando o recorde mundial de distância: 337 quilômetros.

Um vôo destes leva mais de dez horas para ser feito; isto significa dez horas pilotando um parapente - atravessando um deserto absolutamente inóspito onde um pouso feito em um local de difícil acesso pode até significar a morte do piloto por desidratação ou frio.

É claro que ninguém sai por aí morrendo de tanto voar; esta situação representa aquilo de mais extremo possível proporcionado pelo esporte. Algo como nadar um pouco numa praia do litoral norte comparado a atravessar o canal da mancha a nado.

O Vôo “Bivouac” - Derivando do vôo de cross country, existe uma categoria chamada Vôo “Bivouac”. Este tipo de atividade consiste em fazer um vôo de cross country procurando voar a maior distância possível e finalmente pousando de preferência sobre o topo de uma montanha.

O piloto então acampa no local de pouso, passa a noite por lá e decola novamente no dia seguinte para continuar sua jornada e assim consecutivamente por muitos dias até percorrer por exemplo toda a extensão dos Alpes Suíços.

O piloto, neste caso, leva uma barraca muito leve junto ao seu equipamento, bem como comida e bebida; dorme normalmente enrolado no próprio parapente que por ser feito de nylon, acaba sendo um bom isolante térmico.

Fica conhecendo os eventuais habitantes da região, cozinha, lê e envolve-se com atividades de exploração. É uma modalidade igualmente fascinante pois significa muitos dias de viagem até a conclusão da jornada.

Mas ainda existem coisas bastante extremas que podem ser feitas no parapente. É aí que falamos sobre: O vôo de acrobacia

Diferente das outras categorias que consistem em utilizar o parapente com meio de transporte, o vôo acro consiste em efetuar manobras aparentemente impossíveis e de alta periculosidade.

Certos tipos de espirais capazes de gerar vários G’s (1 G é o peso do piloto que quando associado a força centrífuga, multiplica-se várias vezes), wingovers (que são curvas de enorme inclinação – mais de 135° às vezes), inversões, loopings (onde o piloto passa literalmente por cima do velame), as sensacionais espirais invertidas, helicópteros (que é uma complexa manobra onde o piloto faz o parapente rodar como as hélices de um helicóptero sobre sua cabeça) e muitas outras, isto sem contar em vôos rasantes, colisões, saltos de pontes, balões e até helicópteros.

Tudo isto faz do vôo acrobático uma categoria absolutamente única e praticada por pouquíssimos “malucos” do esporte. Exige grande domínio técnico e coragem, pois um erro pode gerar conseqüências de dificílima administração.

Claro que todos os parapente são equipados com um pára-quedas de emergência (eu deveria ter falado antes a respeito disto, não é verdade?) que pode ser aberto em caso de pane absoluta, levando o piloto ao chão com segurança e apenas a frustração de não ter conseguido realizar a almejada manobra.

Vôo Duplo - Feito com um parapente especial, muito maior que o normal, o duplo permite que se leve uma ou mais pessoas (mais raro) junto para que esta experimente as sensações do vôo de parapente sem que para isto precise freqüentar um curso e aprender a voar.
Praticamente tudo o que é possível no vôo solo, o é também no duplo.

Como se vê, o parapente é para todos os gostos, sejam eles um simples curtir da paisagem com a suavidade do ar acariciando sua pele até impressionantes acrobacias que elevam a adrenalina ao máximo, passando por incríveis travessias aéreas - por quilômetros e quilômetros de terra.
Quem quer curtir as emoções de um vôo sem motor não precisa de nenhum curso especial. Existem diversos pilotos que fazem vôos duplos. A única preocupação que você irá ter será sentir a força das térmicas e ouvir o barulho do vento.

Em praticamente todos os estados do país, existem pilotos habilitados para vôo-duplo. A duração do vôo fica por conta do passageiro e das condições do tempo. Pode durar de 10 minutos a 3 horas.

Mas atenção. Cuidado com quem você vai voar. Procure obter informações sobre o piloto e verifique se ele possui registro no DAC.

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